Entrevista: Suziane Emerich, nutricionista e mãe!

Meninas, não sei vocês, mas sempre tive a curiosidade em saber como é a alimentação de um filho de uma mãe nutricionista. Pois bem, uma grande amiga, Suziane Emerich, hoje vai matar minha curiosidade. Ela é nutricionista e tem uma pequena de quase 2 anos, que come de tudo, tudo mesmo!

Pra quem é mãe (Pqm):
O que sua filha come e o que ela não come?

Até um ano de idade, ela havia consumido além do leite materno, frutas, hortaliças cozidas, carnes magras, ovos, arroz branco e integral, leguminosas, aveia e azeite extra-virgem. Ao completar um ano, introduzi tapioca e cuscuz enriquecidos com gergelim, castanhas e/ou linhaça, vegetais crus e suco de fruta sem açúcar. Com 1 ano e 4 meses introduzi biscoitos integrais, macarrão e algumas preparações sem açúcar como bolo de banana. Com 1 ano e 6 meses introduzi alguns derivados do leite como queijo branco e iogurte sem corantes, alguns tipos bolo e pães e liberei na creche suco de polpa sem ou com pouquíssimo açúcar. Hoje com 1 ano e 9 meses ela tem uma alimentação bem variada, mas não come de jeito nenhum embutidos, enlatados, sucos de caixinha, refrigerante e salgadinhos de pacote.


Pqm:
Por que ela não come esses alimentos?

Preocupo-me em formar bons hábitos alimentares. Acho que a introdução precoce de certos alimentos prejudicaria isso. Além disso, embutidos, enlatados e salgadinhos de pacote são alimentos com altos teores de sódio, gordurosos e pouco nutritivos. Sucos em caixa na maioria possuem altos teores de açúcares, conservantes e pouca fruta. Refrigerantes não são nada saudáveis. Doces e balas são coisas que nunca ofereci pela pouca idade e que ela ainda não me pede.



Pqm:
Você prepara as refeições dela baseado em calorias, como se fosse uma 'paciente' ou vai mais pelo instinto de mãe mesmo?

Não fico calculando calorias, ela é quem me indica as quantidades que consegue consumir, ela faz o controle de saciedade dela. Preocupo-me no que ofertar e, para isso, baseio minhas escolhas na pirâmide alimentar da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sei se está tudo bem acompanhando peso,  crescimento e desenvolvimento dela.




Pqm:
Você é mais preocupada em dar o exemplo na alimentação da sua filha porque você é nutricionista?

Sou presente e comprometida com alimentação da minha filha, provavelmente porque entendo a importância de uma alimentação saudável e da formação de bons hábitos. Acredito que ser nutricionista influencia sim, mas qualquer pessoa que entenda a importância de bons hábitos alimentares faria o mesmo por seus filhos.


Pqm:
Você come um alimento na frente da sua filha que você não costuma oferece para ela? Por quê?

Já comi alguns lanches na frente dela sem oferecer, mas percebo que quanto mais ela cresce, mas difícil isso fica. Quando ela me pergunta o que estou comendo, converso com ela, digo que é o “papá da mamãe” e não dela, mas pergunto se ela quer o dela. Acho que ela precisa entender que alguns alimentos não são adequados para a idade dela. Imagina algum adulto tomando uma cerveja e ela perguntando para você o que é?! Não dá para oferecer, né?


Pqm:
Como mãe-nutricionista, se tivesse que dar um conselho, apenas um, para suas amigas sobre alimentação dos pequenos, qual seria?

Ensine e estimule o consumo de frutas e hortaliças.


Pqm:
Na sua percepção, o que você faz e observa que outras mães não fazem com relação às refeições de sua filha?

Ofereço oleaginosas para minha filha. Ela come uma castanha todos os dias. Além disso, ela come peixe 2x na semana, pelo menos uma fruta cítrica todos os dias, e uma porção de frutas vermelhas 4 a 5x na semana.


Pqm:
O que uma mãe leiga, como eu, deve observar ao elaborar um cardápio para o dia a dia das crianças?

Quanto mais natural for
 o alimento, mais saudável será a alimentação da criança. Quanto mais colorido e mais variado, maior a chance de atender às necessidades nutricionais dela. Vale à pena conhecer a pirâmide alimentar infantil recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pois é um guia bem simples, onde a mãe encontra o número de porções de cada grupo alimentar que deve ofertar a seu filho.


Pqm:
Com essa correria do dia a dia nem toda mãe tem tempo para preparar todas as refeições diárias (almoço, lanches, jantar). Você poderia indicar algumas estratégias práticas que podemos adotar para prepararmos refeições balanceadas sem investir muito tempo na cozinha?

Para facilitar, guardo hortaliças e frutas já higienizadas. Chego do mercado com as compras da semana e já deixo guardado tudo limpinho. Isso ajuda muito na hora da correria, que basta pegar o alimento e usar sem grande demora. Além disso, guardo em pequenas porções. Por exemplo, congelo a carne na quantidade certa que usarei na refeição. O descongelamento de uma porção menor é muito mais rápido, dá para fazer até mesmo direto na panela, se não der tempo de descongelar o alimento previamente. Também dá para congelar alguns pratos prontos, assim, na correria, basta descongelar e servir com uma saladinha. Também é bom ter em mãos algumas receitas práticas e saudáveis. Assim, na correria você consegue fazer algo rápido e ao mesmo tempo saudável.

Congelando em pequenas porções








Pqm:
Qual é a maior dificuldade que você tem com a alimentação da sua pequena?

Alimentar minha filha, não é tarefa difícil. Se ela estiver bem, ela come com facilidade. Encontro alguma dificuldade em viagens, não por ela, mas por causa do acesso aos alimentos. Lanches são fáceis, levo uma fruta na bolsa e está tudo certo, mas peno um pouco no almoço e jantar. Nem sempre há restaurantes com comidas adequadas aos pequenos (pense, por exemplo, em viagens para os EUA ou mesmo em praias brasileiras). 

Muitas vezes não é possível preparar a comida no hotel e carregar o dia inteiro para oferecer na hora do almoço ou jantar. Não vejo problema algum eventualmente recorrer a uma papinha industrializada, porém não dá para fazer isso uma semana inteira. Então, dependendo da viagem, alimentá-la deixa de ser algo simples.


Pqm:
A partir de que idade os bebês podem/devem comer a mesma comida que os adultos?

Com um ano os pequenos podem comer a comida da mesma panela dos adultos, desde que a alimentação de casa seja saudável.


Pqm:

Não dei açúcar e farinha branca aos meus filhos até quase 2 anos, um pouco menos com a mais nova. Qual a sua opinião sobre a restrição de açúcar? Até que idade devemos manter a restrição?


Crianças até 1 ano não devem comer açúcar de jeito nenhum. Depois desta idade, o consumo deve ser bem esporádico. E quanto mais tarde for introduzido, melhor. 





Muito bom, vou seguir algumas dicas que não faço, rs. Para quem quer uma sugestão de cardápio prático, veja aqui o post.

bjm,
Cidália

Nenhum comentário

Postar um comentário