Como retirei a fralda diurna do meu filho?

Então, meninas, esse é um tema pra lá de delicado, mas vou contar como foi minha experiência com meu filho mais velho. Faço questão de dizer que é sobre o ´meu filho mais velho e MENINO´, porque tenho um casal e foi muito diferente o processo para os dois. Em breve farei um post sobre as meninas, ok?

Quando meu pequeno tinha 2 anos e 1 mês minha filhota nasceu. Na preparação do mais velho para receber a mais nova, fui conversando com ele e, gradualmente, retirando os itens que eu considerava ´de bebê´, como bico, mamadeira e fralda - pelo menos a diurna. Então, quando ela nasceu ele usava apenas a fralda para dormir.

Como ele já estava na creche, procurei a escola para retirarmos a fralda ao mesmo tempo. Isso lá pelos seus 1,7 anos. Recomendo muito fortemente que seja feito assim porque ter a mesma postura dentro e fora da escola é essencial para não confundir a cabeçinha deles nessa hora de tamanha mudança. ´Por que na escola fico sem fralda e em casa fico com fralda?´. É um raciocínio muito lógico dentro da criança. Essa confusão, de ora poder usar e ora não poder usar a fralda, também pode fazer com que o pequeno leve mais tempo do que a média para retirar a fralda.

Não que haja um tempo determinado, porque não há, cada criança tem seu tempo. Mas, em média, demora cerca de 6 a 7 meses para uma criança largar a fralda diurna (a noturna pode chegar ao dobro do tempo).

Daí a escola me fez duas recomendações: 
  • retire de uma vez só e não coloque mais e
  • coloque 10 cuecas por dia na mochila dele.


Nos primeiros dias, primeiro e segundo, ele saía da creche com fralda, mas só pra não fazer xixi na cadeirinha do carro. Depois disso não colocamos mais... nem para isso. Se alguma vez ele fez xixi na cadeirinha? Claro! Acontece né gente, é super normal. Mas é assim mesmo, faz parte. Minha solução: sempre tinha uma toalha no carro para forrar a cadeirinha em caso de xixi inesperado!

Bom, voltando... RETIRAR DE UMA SÓ VEZ E NÃO COLOCAR MAIS. Isso é bem importante. Conheço mães que durante o processo de retirar da fralda eram convidadas para festas e, para facilitar, colocavam a fralda no pequeno durante o evento. Sei que é realmente mais fácil e prático mesmo, mas ai cai naquela regra de a criança saber ´quando pode e quando não pode´ usar a fralda. 
Nessas fases de transições, a melhor maneira de se minimizar os traumas (ai que dramática) e as dificuldades, ou seja, a melhor maneira de tornar tudo mais fácil para você e seu filho, é manter o padrão. Desse jeito a criança vai saber que não pode mais fazer xixi na roupa hora nenhuma porque hora nenhuma ela estará mais com a fralda. Então, sejam fortes, retirem e não coloquem mais!



Nossa, mas 10 cuecas por dia... 50 cuecas por semana??? É isso aí! Não sei se todas as creches pedem isso, mas achei bem apropriado o pedido depois que o entendi (na primeira vez que ouvi também achei uma quantidade absurda de cuecas).
Isso aconteceu porque nos primeiros dias eles fazem xixi a toda hora mesmo e as professoras precisam trocar a cueca e o short muitas vezes por dia. Nem sempre elas usavam todas as cuecas no dia, mas eu mandava assim mesmo. Outra coisa que percebi é que as várias trocas por dia evitam as assaduras que podem aparecer nesse período (meu filho nunca teve).


Fases do xixi

No comecinho, é xixi pra todos os lados e a toda hora. Pra limpar isso tudo aí comprei panos de chão amarelos para diferenciar dos demais (os daqui de casa são todos branco), só para limpar o xixi. E haja roupa, cueca, paciência e pano de chão. Mas é assim mesmo.

FASE 1 - No início o pequeno vai demorar um tempinho para perceber que fez xixi. Mas isso só dura algumas ´xixizadas´. Ele logo logo percebe que o xixi está escorrendo pela perna e acha a maior graça. Daí você, mãe paciente que é, vai explicando com jeitinho que lugar de fazer xixi e cocô é no vaso. Sei que o cocô vem depois, mas já falava logo dos dois de uma vez só pra não perder a viagem.

Nunca briguei com ele por fazer no tapete, no carro, na minha cama (aconteceu comigo... e mais de uma vez, rs!); nunca disse que ele não sabia de nada, que era bobo; nunca ofendi ou constrangi minha criança, especialmente na frente de outras pessoas, porque acredito que isso possa desencadear uma ´trava´ no processo. O pequeno pode associar sua bronca ao fato de ele estar fazendo xixi e não fato de ele estar fazendo xixi no tapete.

Sempre usei uma frases mais positivas e evitava dizer a palavra não. Mais ou menos assim: 

Dizia ´você esqueceu de pedir para fazer xixi no vaso? Ah, tudo bem, mas da próxima vez você vai lembrar, né?

ao invés de dizer
´mas você fez xixi no meu tapete/carro/cama??? Não pode!!! Tem que fazer no vaso.´

Dizia ´você está aprendendo que lugar de fazer xixi e cocô é no vaso´

ao invés de dizer
´já não te falei que aqui não é lugar de fazer xixi??!!´


Dizia ´está tudo bem´

ao invés de 
´não tem problema´

Parece que não, mas acredito que isso faça uma grande diferença. 

FASE 2- Para você fazer com que ele não ache graça em fazer xixi/cocô na calça, deixe-o mais tempo com a roupa molhada. Mais tempo entende-se: não tire imediatamente na hora em que ele fez xixi, e sim depois de uns 5 minutinhos. Isso porque não é nada agradável ficar com a roupa molhada e ele vai começar a se incomodar e não mais querer repetir aquela situação. E, voalá, vai começar a se lembrar de que tem que pedir para ir ao banheiro. Com meu filho essa fase durou umas 2 semanas.

Redutor ou penico? Também outro assunto que dá pano pra manga. Para não me prolongar (mais, né?) veja aqui o que escrevi sobre isso.

















FASE 3 - Depois disso vem a fase da vergonha. Ele vai ficar constrangido porque fez xixi/cocô na calça e vai querer esconder isso das outras pessoas. Nessa fase é bom não fazer muito alarde quando você perceber que o xixi/cocô escapou. Leve-o para um lugar afastado, limpe-o e converse positivamente dizendo que está tudo bem e que da próxima vez ele vai se lembrar de pedir para ir ao banheiro. 

FASE 4- Agora ela vai começar a pedir algumas vezes e esquecer outras, mas com certeza vai pedir mais do que esquecer por causa da vergonha. Com meu filho, as fases 3 e 4 duraram umas 2 semanas cada uma (elas se misturam).



FASE 5- Depois disso é só alegria. Ele vai saber que sempre tem que pedir para ir ao banheiro. Claro que nem sempre vai dá tempo de chagar lá. Meu pequeno já fez a caminho do banheiro ou assim que abri a tampa do vaso... é assim mesmo até ele ter o controle total dos esfíncteres. Até ele mesmo saber reconhecer os limites de seu corpo.

E quando ele pedia para fazer no vaso, eu fazia a maior festa. Dizia que ele já era um rapaz, que estava orgulhosa, dávamos tchau por xixi/cocô, ensinava ele a dar descarga sozinho, enfim, fazia ele se sentir capaz e realizado por aquela conquista.

Uma dica que sempre dou quando falo sobre esse assunto é a seguinte: diga para o seu filho que o vaso se alimenta de xixi e cocô, que essa é a comida dele e que o pequeno precisa ajudar o vaso a ficar forte, dando xixi e cocô. É simples mas isso dá uma autonomia incrível para a criança, ela se sentirá importante e vai querer ajudar o vaso.

Outra dica é a de não dizer que o cocô é sujo, nojento, fedido ou fazer ´ecaaaaa´. Essa é nossa reação natural (porque ele é tudo isso mesmo), mas imprimir nojo do cocô na criança pode fazer com que ela não queira mais fazê-lo (justamente porque é sujo, nojento e fedido) e acabe prendendo-o. Isso não tem comprovação médica ou científica, é só uma situação empírica que observei ao comparar mães que faziam isso e mães que não faziam. Com meus filhos nunca disse isso, nunca fiz ´fummm - que cocô fedido´ (nem quando eles eram bebês) justamente para quando chegasse no momento da retirada das fraldas eles não tivessem dificuldades. Mas se você não fez isso desde bebê não tem problema, comece agora que ainda dá tempo.

Outra coisa que fizemos e funcionou muitíssimo bem foi comprar livros que explicassem para onde vai o cocô, como é que se faz cocô no vaso, essas coisas... veja aqui o post sobre esses livrinhos. Eles são bons porque apresentam o assunto para a criança, tornando-o mais familiar.

É isso meninas, o post ficou imenso mais acho que nesses casos a riqueza nos detalhes compensa. Ainda vou postar sobre a retirada fralda noturna e minha experiência com minha filha.

Se ainda tiverem perguntas, podem fazer aí nos cometários ou me mandar por e-mail. Vou gostar muito de responder.

bjim,
Cidália.

Lembrem-se de consultar seu pediatra quando achar necessário, ok?

* Este post não é publieditorial.

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